ME ENGANA QUE EU GOSTO

Não é de hoje que existem denúncias, não apenas da CBBoxe ou do autor deste texto, com relação às informações inverídicas que circulam, principalmente, no boxe profissional brasileiro.

Cartéis falsificados de boxeadores estrangeiros que vêm ao Brasil tornaram-se lugar comum. Quando a Confederação tem conhecimento antecipado, divulga a verdade e com isso ganha prestígio na mídia e nos aficionados pelo boxe. Mas a atitude de informar corretamente provoca, mais que o constrangimento, a agressividade de quem elaborou a falsidade, com mais mentiras. E a CBBoxe, até para se defender, continua divulgando a verdade, então de novos fatos. Na realidade, muitos brasileiros também boxeavam fora do país com cartéis falsos, registros esses sutilmente enviados por espertos “agentes” brasileiros à serviço de promotores estrangeiros. Essa prática, com a divulgação dos registros dos pugilistas brasileiros por parte da Confederação, diminuiu consideravelmente, apesar de alguns sítios estrangeiros aceitarem qualquer informação de qualquer pessoa.

Mas nem todos que escrevem denunciando estes fatos são isentos de responsabilidades. Como existem diversos “agentes” no país disputando os boxeadores brasileiros como se fossem mercadoria, alguns denunciam os “colegas” e seus métodos. Mas o grotesco da história é o fato dos que denunciam praticarem os mesmos atos dos denunciados, como se fossem meros agentes da informação. Pelo contrário, são agentes do próprio bolso. Alguns atletas brasileiros viajam ao exterior com 5, 6, 7 ou mais derrotas seguidas fora do país. Alguns mercados estão se fechando para os brasileiros como o americano e o alemão. E bons boxeadores brasileiros que não se deixaram influenciar começam a ser vistos como se fossem simples “escadas”, sendo comparados a outros que costumam perder no exterior. Mas os inteligentes “agentes” descobrem novos mercados: Canadá, Polônia, Dinamarca, Áustria, República Tcheca,...já se fala até em um combate brevemente no Azerbaijão.

Autorizações falsas de boxeadores estrangeiros, mesmo quando denunciadas antecipadamente pela Confederação são ignoradas por muitos “promotores” sem registro atualizado na CBBoxe. O que fizeram então os espertos promotores? Em ocasião posterior, de posse de informação de denuncia de autorização falsa em espetáculo supervisionado pela confederação, esconderam o fato dos dirigentes da CBBoxe com o objetivo de constranger a entidade perante imprensa e opinião pública, divulgando o assunto apenas após a realização do combate. O tiro saiu pela culatra, pois ignoravam que a informação sobre o assunto fora divulgada no próprio sítio da Confederação. A CBBoxe recebeu elogios de todos sobre as atitudes tomadas na ocasião e as pessoas utilizadas para divulgação do assunto ficaram em posição delicada.

E os títulos mundiais? Se fossemos considerar todos as lutas que são anunciadas como “títulos mundiais” disputados no Brasil muitos boxeadores estariam ricos e famosos. Mas a verdade é outra. Fazer um registro de uma empresa ou organismo – no Brasil inclusive – e dizer que o mesmo realiza títulos mundiais, sem preocupações com o desenvolvimento do esporte, é muito fácil. Cobrar taxas de patrocinadores e efetuar anúncios para o público também. O difícil é justificar ao atleta ou ao seu patrocinador, meses depois, o motivo dele não ser considerado internacionalmente um campeão do mundo.

A Confederação Brasileira de Boxe tem procurado nos últimos anos esclarecer a opinião pública através dos meios de comunicação sobre os assuntos aqui relatados. Não é uma tarefa fácil. O assunto envolve interesses pessoais de alguns. Mas não existe outra opção sobre este tema, a não ser insistir.Até o dia que o público e patrocinadores cansem. Cansem de serem enganados.

Daniel B. Fucs – Vice-presidente da CBBoxe


12/01/2007


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