A EVOLUÇÃO DO BOXE BRASILEIRO

É patente o desenvolvimento do boxe nacional nos últimos anos. Os resultados internacionais recentes da equipe olímpica brasileira demonstram a correção do caminho escolhido há poucos anos.

Os investimentos em recursos financeiros, tempo e dedicação para o selecionado de um país almejar posição entre as primeiras do mundo não são pequenos. O governo cubano investe há quase 40 anos no pugilismo olímpico para que o mesmo pudesse alcançar e manter a posição de supremacia atual. E não pára por aí. O empenho e trabalho para a manutenção desta posição são ininterruptos. Outros países estão se dedicando e chegando perto, objetivando liderar conquistas nos torneios internacionais. É só verificar o trabalho que os países da Europa, principalmente do leste, e asiáticos estão realizando.

Sim, ainda falta muito para o Brasil alcançar o posicionamento mundial relatado acima. Porém, não se nega que tomadas de decisão corretas pela Confederação Brasileira de Boxe estão sendo traduzidas em obtenção de bons resultados.

Tomemos como exemplo apenas o ano de 2006. O Brasil já participou de quatro torneios internacionais neste ano. No início de março, na República Dominicana, no Torneio Internacional Copa Independência, a equipe brasileira trouxe seis medalhas. Duas de ouro, duas de prata e duas de bronze. Ficou em 3º lugar na competição, atrás apenas da República Dominicana e de Cuba e à frente de equipes tradicionais como Porto Rico e Itália. Mas esta premiação tem um significado ainda maior quando se sabe que entre as vitórias brasileiras incluíram-se algumas sobre estrelas cubanas. Myke Carvalho derrotou o cubano Carlos Banteur. Banteur tem mais de 200 lutas. Foi campeão mundial juvenil em 2004 e medalha de prata da Copa do Mundo de Adultos 2005. Em 2006, foi vice-campeão cubano e vice-campeão da III Olimpíada Cubana. É um dos principais boxeadores cubanos do momento. Neste mesmo torneio, numa vitória espetacular, Washington Silva, categoria 81 kg, venceu Duniet Dorticos, vice-campeão cubano, vice-campeão da última Copa do Mundo, realizada em 2005 e medalha de prata na III Olimpíada Cubana.

No final de março, em Porto Rico, um resultado que surpreendeu todos os jornalistas estrangeiros presentes no Torneio Internacional de Boxe Cheo Aponte. O Brasil foi o campeão da competição que além do anfitrião, Porto Rico com duas equipes, contou com a presença de diversas nações, entre elas equipes dos Estados Unidos e Inglaterra, historicamente países com atletas de qualidade. Foram oito medalhas conquistadas pelos brasileiros: quatro de ouro, duas de prata e duas de bronze.

Entre a última semana de abril e a primeira quinzena de maio a equipe brasileira viajou a Cuba para participar de duas importantes competições.

Na III Olimpíada Cubana, participaram 1500 atletas estrangeiros de diversos esportes que se juntaram aos 3000 competidores locais. Na modalidade do boxe, Cuba inscreveu os 6 melhores boxeadores de cada categoria de peso. O Brasil novamente surpreendeu positivamente. Foi o 3º colocado atrás apenas de Cuba e da China. Foram cinco medalhas conquistadas: 1 de prata e 4 de bronze. E novamente, vitórias brasileiras sobre cubanos. Pedro Lima derrotou dois cubanos antes de classificar-se para as finais. E James Dean Pereira igualmente derrotou um boxeador de Cuba, nas quartas de finais.

E na segunda competição realizada em Cuba, o Torneio Internacional Eduardo Garcia que teve quatro províncias (estados) cubanas inscritas, mais um resultado positivo. Um segundo lugar na competição, à frente de três das quatro províncias da ilha inscritas, acompanhado de uma medalha de ouro, três de prata e duas de bronze.

Quando se analisa o trabalho realizado nos países do leste europeu e em Cuba algumas considerações são inerentes a este pensamento. Primeiramente, fundamentalmente com respeito às atitudes tomadas no Brasil. Citamos algumas. Cursos abertos a treinadores de diversos estados, em diversos níveis, visando uma maior capacitação dos mesmos dentro do conceito e técnicas do boxe olímpico contemporâneo, ministrados por professores no Brasil e vindos do exterior. Formação de corpo de oficiais (árbitros e juízes) dentro das regras modernas da AIBA Associação Internacional de Boxe, que gerou o afastamento voluntário daqueles que por comodismo ou incapacidade se opuseram a esta prática fundamental. A criação de uma equipe permanente, conforme acontece no exterior e de acordo com a orientação do COB. Intercambio internacional com participação maior em competições no exterior, mesmo com as críticas iniciais de poucas conquistas nos primeiros anos de implantação dos novos procedimentos. O apoio do COB Comitê Olímpico Brasileiro que acredita na administração atual da Confederação, cujos resultados começam a aparecer.

E em segundo, que conquistar medalhas em Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais não é uma questão de desejo. Todas nações que se propõem participar destas competições estão procurando evoluir. É só verificar os resultados dos últimos torneios internacionais de maior relevância. O número de países com atletas com condições de disputar medalhas no boxe é maior do que há 20 anos. Todos com a mesma ambição.

O caminho vai ser mesmo duro e trabalhoso. Não há como fazer previsões. Na verdade só há uma certeza. Que não há outra estrada. É esta mesma, com todos os países tentando percorrê-la até o final, alguns com muito mais recursos financeiros. Mas já descobrimos a estrada e entramos nela. Já é meio caminho.

Daniel Bergher Fucs - Vice-presidente CBBoxe

16/May/2006


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