| AINDA MATAM UM BRASILEIRO |
Uma das maiores preocupações da atual administração da CBBoxe Confederação Brasileira de Boxe é acabar de uma vez por todas com a ida de boxeadores ao exterior, quando são levados com objetivo de serem utilizados como “escadas”, sem a menor chance de efetuarem combates equivalentes. E o pior: correndo riscos enormes em troca de dólares que não pagarão seus tratamentos caso sofram alguma lesão séria. A CBBoxe não é contrária a viagem de boxeadores profissionais à outros países para realização de lutas profissionais. O que não se admite é que muitos desses combates sejam tão desiguais, que os pugilistas viajem sem nenhuma comunicação à ninguém, como se alguns agentes no Brasil preferissem esconder as lutas. Na maioria das vezes só chegam informações da imprensa estrangeira após a realização da luta. E algumas vezes a informação do embate é descoberta horas antes do confronto. O desnível em relação ao adversário estrangeiro é tão grande, que nestes casos os comentários sobre o assunto limitam-se às tentativas de adivinhações sobre o round em que o brasileiro será nocauteado. Um dos problemas para a erradicação deste tipo de acontecimento cabe a alguns organismos de administração esportiva local situados naqueles países, que permitem combates de atletas de outras nações sem consulta às entidades de onde são oriundos os boxeadores. A CBBoxe todas as vezes que tentou contato com estes organismos sobre o assunto não obteve resposta. Sobre outros temas o retorno é quase imediato. O segundo problema vem através de alguns agentes no Brasil que preocupados com o ganho fácil, não divulgam a luta e muito menos o resultado. Neste ponto é preciso ressaltar que esta prática não é comum a todos empresários que agenciam lutas no exterior para brasileiros. Boxeadores que vivem no exterior como Agnaldo Nunes, cuja carreira está sendo administrada por Oscar Suarez, técnico de Popó, ou de José Albuquerque e do armênio Archak Ter-Meliksetian, que são gerenciados por Marcelo Castiglia, têm um caminho diferente. O mesmo acontece com os baianos da Oficina de Idéias / Academia Champion que vivem nos Estados Unidos ou lutam na América do Norte como, por exemplo, Joilson Santana, Kelson Pinto e Erivan Conceição. A maioria dos citados neste parágrafo já foi derrotada. Mas uma simples verificação nos cartéis de resultados e na forma de tratamento dos boxeadores pelos empresários mencionados, mostra a preocupação com a carreira dos atletas, que visam às disputas de títulos. Não ao ganho imediato de alguns dólares. Há pouco tempo, o responsável pelo sítio na Internet “Ringue.com”, José Elias Flores Jr, comentou com o signatário deste texto que ao inquirir um ex-boxeador que leva boxeadores para perder no exterior, ouviu a seguinte perola do tal “agente”, dita com muito orgulho: – Eu arrumo as lutas. Sou muito conhecido. Mas não tenho contrato com eles, portanto não sou empresário deles. – Acredite se quiser. Lamentavelmente, a conversa não foi gravada. Em alguns episódios, os próprios boxeadores são coniventes. Em outros casos, tomaram sustos quando souberam, na véspera do embarque, quem iriam enfrentar. Entretanto, foram convencidos pelos “agentes” que o adversário, mesmo com título, por exemplo, de campeão do mundo, não era nenhuma bicho de 7 cabeças. Não se trata apenas de dinheiro fácil na mão de alguns intermediários. Trata-se da integridade física do ser humano. Alguns pugilistas são levados a boxear com derrotas seguidas por nocaute, sem cumprimento do prazo regulamentar de descanso / observação e exames médicos obrigatórios nestes casos. E o argumento cínico usado por alguns agentes é a necessidade do atleta com a compra de leite para seus filhos. Fica aqui uma pergunta. Caso o pugilista morra ou sofra lesão que o inabilite para o trabalho, quem comprará o leite para os seus filhos? O preocupado agente? O boxe é um esporte viril que tem seus riscos. Por isso, passou por uma série de alterações no regulamento nos últimos anos que visam uma maior preservação do praticante. Enquanto houver gente corroborando com o acima exposto, boa parte das preocupações com a integridade física dos atletas vai para o lixo. Até que alguém morra – se é que isso fará a ganância diminuir. Daniel B. Fucs Vice-presidente CBBoxe |
| 23/10/2005 |
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